domingo, 7 de dezembro de 2008

Entrevista com a Fiddy



Olá, pessoas! Depois de um bom sumiço, volto com uma entrevista com uma das bandas finalistas do Guaraná Antarctica Sound (quem levou foram os baianos da Vivendo do Ócio), a Fiddy. Formada por Thiago Batata (voz); Paum (voz); Zósimo (violão); Deivis (viola e dança); Marcus (guitarra elétrica e programações); Heitor (contrabaixo); Tibério (teclado); Artur (bateria) e Helvio (ou Dr. Schobiner - tambores, dança e programações), a banda está gravando seu novo álbum (por hora intitulado Bebe D'Ouro), e no dia 19 deste mês toca com a Device no Armazém 14, a partir das 18h. Acompanhem aí a conversa com os primos Batata e Helvio, bem no estilo Fiddy!


As mães de vocês não ficam fulas com o nome da banda?

Batata - Minha mãe não curte muito não, ela fica puta com Tony Garrido (apresentador do GAS Sound) toda vez que ele fala isso.
Helvio - Minha mãe sempre amaldiçoa Batata por ter dado esse nome.
Batata - Mesmo sendo minha tia.

E que maldição ela lançou?

Helvio - Que o nariz dele vai crescer mais e mais enquanto o nome não mudar, e parece que tá funcionando.
Batata - Tô fudido... vai ser foda pra entrar aqui pela porta de casa se a Fiddy fizer sucesso!

Nove integrantes é muita gente. Alguém já se pegou, seja na porrada ou com amor?

Helvio - Nada, somos como irmãos. Nos conhecemos há mais de sete anos.
Batata - Porra.. mais de 10. A banda existe há sete.
Helvio - Chutei um número, mas desde que a gente tinha 12, eu acho.
Batata - Faz sete em dezembro.

Nem ninguém pegou ninguém?

Batata - Não, porque só tem um gay na banda, e não dois.

Quem é o gay?

Batata - Heitor! É zona, ele passa creme na pele, mas é porque ele é um rapaz vaidoso. 
Helvio - Ele não quer tirar foto porque a pele dele está um horror.
Batata - Foda que eu também passo porque tenho cara esburacada. Mas ele passa pra não ressecar.

Como vocês definem o som de vocês?

Helvio - Creio que nós somos como um dinossauro de saia.

Como assim?

Helvio - Explica, Batata, que nem eu sei essa.
Batata - Somos pesados, agressivos, cheios de espinhos(as), temos unhas grandes, somos sujos e comemos muito, mas ao mesmo tempo somos bonitinhos, engraçadinhos, dançamos e somos graciosos. 

Qual a reação dos metaleiros ao som de vocês? Rola preconceito?

Helvio - Os mais ortodoxos nos odeiam, mas agradamos tanto os metaleiros como os emos. Avós e crianças também curtem... somos um conjunto para todos os públicos.

Quem é a mente brilhante por trás das letras da Fiddy?

Helvio - Um pequeno ser que vive no dedão do pé de Deivis. Ele nos comanda e nos faz ter idéias brilhantes. O nome dele é cabo Olegário (risos). Normalmente Batata tem o dom das letras e o instrumental é feito por Marcus, maestro Tibério e eu.
Batata - E o doutor também.
Helvio - Nós nos entendemos muito bem na hora de compor.

E a dança? De quem foi a idéia e quem é o coreógrafo?

Helvio - A dança surgiu porque eu não tocava muito, aí eu ia pra frente dançar. Depois, quando entrou um terceiro guitarrista, incorporamos essa função a quem não está tocando no momento. Existe um revezamento de guitarras na Fiddy: são tres guitarristas, mas apenas dois tocam ao mesmo tempo.

Enquanto isso, o outro tem a chance de mostrar seus dotes no bailado no palco, certo?

Helvio - Exato.

Quem é o melhor dançarino da banda?

Helvio - Deivis, o Golfinho. Ele tem dotes incríveis como bailarino.

E quem é o melhor músico?

Helvio - Cremos que é Marcus. Ele nunca erra nos ensaios. Mas Deivis tambem está no páreo.
Batata - Um caralho, ele erra!
Helvio - São os dois melhores.

E quem é o pior?

Helvio - EU!
Batata - Com certeza o doutor. 
Helvio - Dentre nove pessoas teria que ter uma que fosse apenas levada na onda.

De quem foi a idéia das gravatas e dos pirulitos?

Helvio - Foi uma jogada de marketing de Batata. Ele fez um trato com a indústria odontológica para aumentar o uso de doces.

E as gravatas?

Batata - É... como surgiram as gravatas?
Helvio - A gente sempre conta uma história gigante dizendo que representa o lado cômico por tras de uma roupa preta pra representar o peso. Mas isso é tudo baboseira, é apenas pra aparecer.
Batata - Não concordo que é pra aparecer, não. É porque todo mundo de preto ia ser muito do mal, e a Fiddy não é tão do mal. Resumindo é isso.

Qual foi o pior lugar em que vocês já tocaram?

Dr. Schobiner - Em Setúbal.

Por quê?

Helvio - O som foi o pior do mundo. Não tinha espaço pra ninguém.
Batata - Chão de terra batida, mesa com seis canais tendo nove pessoas na banda... show de bola.
Helvio - Eu dançando chutava areia no pessoal da platéia.
Batata - Teclado em cima de grades de cerveja...
Helvio - Teve gente que teve que ficar atrás da caixa de som. 
Batata - Ele estava alcoolizado, vale ressaltar.
Helvio - Só assim pra esquecer aquele dia.

Quando foi isso?

Helvio - Uma semana antes da gente tocar no Abril pro Rock, o maior festival daqui.
Batata - Extremos opostos. Mas foi só pra o baterista, que tinha acabado de entrar, sentir como era ao vivo. Pra estréia dele nao ser no Abril.
Helvio - Não sei como ele não saiu da banda!

Qual a travessura mais doce que vocês já fizeram?

Helvio - Teve uma muito idiota. A gente teve a "brilhante" idéia de fazer um quebra-panela no show, aquele negócio de festa infantil que enche uma bola de doces pra um cara vendado bater e cair os doces. Aí não tinha taco. Foi com um serrote.
Batata - Compramos um serrote minutos antes do show.
Helvio - Depois que eu quase assassinei dois integrantes e cortei a mão, os doces caíram no palco.Ninguém podia pegar, aí nós chutamos os doces na platéia e bateu nos olhos da galera. Resumindo em duas palavras: fracasso total.

Quais as três letras favoritas de vocês?

Helvio - De nós mesmos?

Não, letras do alfabeto.

Helvio - Eu gosto de S, Z e de E. O E parece que tá gritando, é a minha predileta. O som da mesma combina muito com o seu desenho.

E você, Batata?

Batata - Eu gosto mais do Y. Letra do caralho. Tem um rabinho, e se não fosse ela, o logotipo da Fiddy ia ser muito pobrinho.
Helvio - Parece um copo mole (risos).

Vocês já pensaram em tocar em um parquinho ou na varanda?

Helvio - Com certeza. Nosso sonho é ter no nosso show piscina de bolas, pula-pula e coisas do tipo.
Batata - No parque de diversões ia ser foda, perto do castelo mal-assombrado e da roda gigante. Ou naquele parque que Tom Hanks pediu pra ser grande em "Eu quero ser grande", muito massa. Feito aqueles bonecos que os caras fingem que falam que eu esqueci o nome... que ficam com um boneco no colo... 

Ventríloquo.

Batata - Isso!! Deivis um dia vai entrar assim no palco, com cordas amarradas lá em cima.

Se estivessem no programa da Xuxa, para quem mandariam um beijo?

Batata - Pro meu pai, pra minha mãe e principalmente pra você.
Helvio - Pra Marlene Matos e especialmente pra Zósimo.

Por quê?

Helvio - Porque Zósimo ao ser beijado fica irado, e pra Marlene porque ninguém nunca a beijou, fora Xuxa.
Batata - Genial.

O que vocês querem ser quando crescerem?

Batata - Porra, que pergunta complexa...
Helvio - Eu quero ser um grande rockstar que nada em toalhinhas brancas. Batata nunca irá crescer.
Batata - É foda isso, já parei desde 2002. Mas eu posso crescer pros lados. E aí eu topo ser um rockstar gordo que faz propaganda de lancheiras.

Falando em toalhinhas brancas, que exigências de camarim vocês farão quando alcançarem o estrelato?

Helvio - Bolo de rolo com água.
Batata - Chandelle, um jarro. Se for Danette eu reconheço e jogo tudo no organizador. Tem que ser CHANDELLE. 
Helvio - Vamos querer um ar condicionado que não esquente com os nove no camarim.
Batata - Mas bolo de rolo com água resolve o problema. E um ventilador de saco! De baixo pra cima.

Por fim, deixem um recados para os leitores deste singelo bloguinho.

Batata - Porra, queria ficar falando besteira pra sempre.
Helvio - Quem se identificou com o nosso jeito de ser aqui, pode ter certeza que você tem problemas. Não caia na máfia do Batata, escove sempre os dentes após comer doces.

E você, Batata?

Batata - Queria dizer que minha fantastica fábrica de doces será inaugurada em breve.

Isso pode ser interpretado como um CD? Pra quando?

Helvio - Estamos muito perto de terminar as gravações. Vamos ver se com essas férias agora o seu lançamento será impulsionado. Vai ter umas 13 canções, das mais variadas possíveis.

Já tem nome?

Helvio - Até onde eu sei é Bebe D'ouro, mas pode mudar. 

domingo, 16 de novembro de 2008

Novidades

Olá, pessoas! Atualizando esse singelo bloguinho:

* Em primeiro lugar, quero manifestar minha indignação com a organização do show do Nightwish aqui em Recife, realizada pela Astronave Iniciativas Culturais. Simplesmente não houve assessoria, e por tabela credenciamento, de imprensa. Ou seja: quer cobrir, paga pra entrar! E por que foi que alguns veículos de grande porte, como o Jornal do Commercio e o Diario de Pernambuco noticiaram a apresentação, você me pergunta. Eu respondo: para os grandões da mídia, foram dados ingressos do show (para sorteio e tal) em troca de divulgação já que, segundo a Astronave, não havia lá grandes verbas para investir em propaganda. Uma saída não muito inteligente, já que o poder de fogo dos sites menores, rádios comunitárias e blogs, entre outras mídias independentes, não é novidade. E pagar pra trabalhar que eu não vou, né?


*Aguardem: em breve vai entrar aqui uma entrevista com a revelação do pagode/swingueira pernambucano: o impagável João do Morro! Só pra vocês sentirem: em off, o cantor contou que depois de ver uma mulher entrar no salão com o cabelo Black Power (feito o dele) e sair “que nem a Pocahontas”, ele se animou e quis fazer o mesmo procedimento em sua vasta cabeleira. A cabeleireira bem que tentou domar a rebeldia capilar dele, mas acabou desistindo. Devolveu o dinheiro de João e disse: “é mais fácil o seu cabelo chegar em Jesus do que no ombro”! Ah, e devido aos preparativos para a festa do Morro da Conceição, não haverá por enquanto o já tradicional ensaio aberto do cantor, que ocorre às quartas-feiras no bairro. Por enquanto, o pagodeiro vai se apresentar todas as quintas-feiras no Hmenon Hall, que fica na Av. Agamenon Magalhães (esquina com a Av. Conde da Boa Vista), no Derby.


*Em breve também entrevista com a banda de arriation metal (neologismo péssimo, eu sei!) Fiddy, finalistas do GAS Sound. Os nove moçoilos e eu vamos fazer umas doces travessuras e tirar onda!

domingo, 9 de novembro de 2008

Novo clipe da Love Toys - Only Tease

Olá, pessoas! Uma das bandas novas mais legais do Recife, a Love Toys, acabou de lançar um clipe novo: o da música Only Tease. A produção é de Jeovani Morais, da Ateliê Produções, e as imagens foram gravadas durante o show dos caras com a Forgotten Boys, que rolou no domingo passado (02). O vídeo é bem a cara do som dos rapazes, confere aí:


 

domingo, 2 de novembro de 2008

Uma entrevista delirante com a Caravana do Delírio

As letras engraçadinhas e o som alegrinho da  Caravana, formada por Matheus Torreão (voz e baixo), Danilo Gonçalves (guitarra), Thiago Baracho (teclado) e Eduardo Cavalcanti (Bateria) deu o que falar. Alvo de diversas críticas por sua apresentação no Microfonia, hoje é a chance da Caravana do Delírio provar (ou não) que a mídia está enganada. Eles se apresentam hoje (02) no Armazém 14, no Recife Antigo, a partir das 15h, com as bandas Novanguarda, Bruno Negaum e Martinez, Love Toys, Bon Vivant e Forgotten Boys. E como o que vale nessa vida é ser feliz, tirei uma onda com Matheus. Vejam aí no que deu:


Qual a essência da Caravana do Delírio?

Rexona Men!

 

O que deixa o sistema de vocês nervoso?

Críticos de música.

 

Todos os homens são lendas?

Sim, todos os homens são lendas. Tem até uma frase de Clarice Lispector que eu li, depois de fazer a música, que diz uma coisa parecida. Era alguma coisa do tipo, todas a vidas são inacreditáveis, se você prestar atenção nelas direito.

 

Como é o romântico em vocês?

Caramba, essa eu não saberia responder pelos outros. Posso falar do romântico em mim?

 

Pode.

O romântico em mim trabalha bastante, acho que eu tô até melhorando agora. Mas costumo ser muito brega quando gosto de alguém de verdade. Eu me considero um cara bastante romântico.


O que vocês querem fazer antes de descansar em paz?

Sucesso.

 

Com o que vocês se importam?

Em fazer um trabalho bom. Talvez até demais.

 


Vocês são mãonogamicos?

Porra, essa é foda! Toda a banda segue o princípio da mãonogamia. Desde que eu toquei a música pra eles pela primeira vez, a identificação foi imediata

 

Só pra encerrar: deixe um recadinho delirante para os leitores deste singelo bloguinho.

Passem menos tempo no computador e vão pra mais shows de bandas daqui! Se vocês procurarem direito vão   achar muita coisa boa, é sério.



Não entendeu nada? Então entre em www.myspace.com/acaravanadodelirio que você vai entender!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

IV Nox on the Rock

Olá, pessoas! Cá estou eu, cansada mas feliz, para falar de uma noite memorável; a de ontem, 30 de outubro. Por que memorável? Simples, porque a quarta edição do Nox on the Rocks, com MQN (GO), AMP, Vamoz!, Black Drowning Chalks (GO) e Macaco Bong (MT), quebrou tudo. Ninguém sabe quem pirou mais, as bandas ou a platéia – um pequeno grupo de privilegiados que se permitiu participar dessa farra que, com certeza, não sairá da cabeça tão cedo.

Não vou falar detalhadamente de cada show por dois motivos: exceto a Macaco Bong, todas as bandas são de rock-sujo-e-bom-pra-cara***, e porque não prestei atenção em todas as apresentações. Mas vamos aos pormenores que merecem ser citados:

  • Quem se apresentou primeiro foi a Vamoz!, que já chegou chegando, sem essa de não ir tão bem por ser a primeira. Orgulhosamente da terrinha, botou quente!
  • Quase ninguém conhecia a Black Drowning Chalks, mas tenho certeza de que ela ganhou vários fãs. Porrada na orelha! E a apresentação teve a participação especial de Fabrício Nobre, vocal da MQN, presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e porra louca pra caramba!
  • Nenhuma banda pirou tanto – ela e a platéia – quanto a MQN. Fã louca dançando no palco, banho de birita em Fabrício... mais rock impossível!
  • Deviam aproveitar mais a Nox para fazer show... a qualidade do som de lá é muito boa!
  • Quem sai de casa em plena quinta-feira, não sai pra ficar olhando para as paredes! Por isso mesmo o público mandou ver: pulou, dançou, bateu cabeça, fez air guitar... enfim, soltou a franga!

Devia ter um evento desses em Recife todo fim de semana! Quem ficou em casa vendo o 1x1 do Sport e Santos, perdeu!

Microfonia - segunda semifinal e divulgação dos finalistas

Olá, pessoas! Com o devido atraso que me é peculiar (um tanto quanto maior desta vez, peço desculpas), lá vão as minhas considerações sobre a segunda e derradeira semifinal (e anúncio dos finalistas) do Festival Microfonia, que aconteceu no dia 22 (quarta-feira) no UK Pub, em Boa Viagem. Unhas roídas, tensão, nervosismo e cacos de vidro (quebrei um copo, mas foi super sem querer!) no ar!

Quem abriu os trabalhos foi A Banda de Joseph Tourton, que fez uma apresentação de qualidade no Microfonia, no estilo da do Coquetel Molotov. Os músicos estavam bastante entrosados e à vontade, pareciam estar em um ensaio, sem ninguém olhando. Bom de ver e melhor ainda de ouvir.

A segunda banda da noite deveria ter sido a Ilíada 1, mas devido ao atraso de alguns integrantes, quem subiu ao palco foi A Comuna, notoriamente discípula do faz-tudo-cultural Jomard Muniz de Brito – que, por sinal,  recitou seus poemas tendo o som da banda como trilha, no álbum JMB em Comuna.  Viajandona toda, do som às letras. Cabeça no experimentalismo e na Tropicália, mas com os pezinhos na atualidade.

E chegou a noiva, ops, a atrasada: Ilíada 1. Era melhor nem ter ido. Nervosa, fraquinha e sem criatividade. De longe, a pior das semifinalistas. Além do atraso, e de aparentes problemas técnicos, o nervosismo era bastante aparente. Um cover descarado e mal feito de Los Hermanos e Gram. Mas pelo menos torcida eles levaram, a julgar pela quantidade de pessoas com camiseta da banda na platéia.

A Black Flowers é uma banda rara. Mas não no bom sentido. O som é bem Guns N’Roses. A novidade está na distribuição do carisma na banda: todos têm, exceto o vocalista! Dá até para esquecer que ele está no palco. Já que era pra copiar o Axl Rose, que não fosse só no timbre de voz e no lenço da cabeça, né?

A outra viajandona da noite, a Gigantesco Narval Elétrico, despertou ódio e paixão. Suas viagens criativas e psicodélicas não são de fácil assimilação, não é uma música “fácil”. Quem não quis entender, torceu o nariz. Quem embarcou na onda, caiu de amores.

Dizer que The Keith é uma banda ruim seria o mesmo que dizer que The Strokes não presta. Porque o som é quase idêntico. Eles tocam bem, animam e tal... mas cadê a criatividade, meu Deus? Entretanto, é uma forte candidata a ser sucesso entre os indies do Recife. Luiz, guitarrista da Love Toys, pirou no som dos caras. Ah, e o cabelo de tigela do vocalista funciona no palco, mas imaginei aquela criatura andando no sol do meio-dia da cidade, à paisana. Deve causar uma estranheza...

A Voyer foi a única banda a ter uma mulher com integrante. Meninas do meu Estado, cadê vocês nos palcos pernambucanos. Outra rara vocalista das redondezas, Iana, da Carfax, esta animadona com a Voyer. Mas não me animou não, viu? New rave em tons pastéis, faltou mais alegria, mais colorido.

Nem Cannibal, da Devotos, fala tanto “é rocha” quanto o vocalista da Ugly Boys! Irrita, credo! Mas a apresentação compensou. Punk rock feijão-com-arroz, simples e gostoso. Até a clássica contagem estilo Ramones (a velha “um, dois, três, quatro”) rolou. Show bom e bem feito, como só quem tem dez anos de estrada sabe fazer.

Todo mundo se apresentou, coisa e tal, e aí veio o momento nervoso: a divulgação dos finalistas. Aguardando a decisão da comissão julgadora – que teve a ausência do homem do Abril pro Rock, Paulo André, pois o mesmo estava participando de um evento em Nova Iorque, lá nos Esteites - ninguém (ou quase ninguém, sempre tem quem consiga) prestou atenção na apresentação da Macaco Bong, banda de rock instrumental do Mato Grosso, embora já quase pernambucana. E no meio do show, vem o resultado: estão na final A Comuna, The Keith, Voyeur e Candeias Rock City.

E aí começou o cumprimenta/consola. E a Macaco Bong prosseguiu tocando. E eu fui pra casa, que sou pobre e moro longe!



A comissão julgadora

The Keith

Ugly Boys

Voyer

Black Flowers

A Comuna

(Fotos: Marcelo Lacerda)

domingo, 19 de outubro de 2008

Final - Red Bull Street Style

Olá, pessoas! Para dar uma inovada nas minhas andanças, fui à final nacional do campeonato de futebol Freestyle Red Bull Street Style, que rolou ontem (17), no Marco Zero do Recife Antigo.

Começando do começo: eu não fazia a menor idéia do que cargas d’água era futebol freestyle!  Agora eu sei que é a execução de acrobacias com a bola não só com os pés, mas com várias partes do corpo, como cabeça, ombros, coxa, entre outras (olha como estou ficando sabida!). É meio que uma mistura de malabarismos com a bola e dança.

O evento, que teve apresentação de Roger de Renor (e um outro cara aí que não sei quem é), começou com uma apresentação da Mundo Livre S/A, que tocou “Free World”, “O Mistério do Samba” e “A Expressão Exata”. A banda não estava das mais animadas, mas nada que atrapalhasse.

E começou a competição. Dezesseis meninos (meninos mesmo, a maioria era adolescente) disputaram uma vaga no mundial da modalidade, e o negócio funcionava assim: dois deles duelavam por três minutos, sendo que cada um exibia seus dotes com a bola por 30 segundo, e depois passava para o adversário, e assim sucessivamente. No fim, o júri - formado pelo radialista Léo Medrado, o atacante Carlinhos Bala e o ex-jogador da Seleção Brasileira de 1970 Jairzinho - escolhia o vencedor do duelo, que se classificava para as semifinais e, por fim, a final.

Entre os competidores, um em especial tinha a maior torcida (basicamente as cinco mil pessoas que estavam assistindo): o garoto de 15 anos Pedro Henrique, o Pedrinho. Por quê? Simples, ele estava competindo em casa, ou seja, ele é pernambucano. E como pernambucano é bairrista pra caramba...

Depois notei que não era só bairrismo, não. Não é que Pedrinho é realmente muito bom? Imagine o que é fazer piruetas de ginástica artística e passos de hip hop com uma bola de futebol sem deixá-la cair. Pois é, ele fazia isso. Pena que ele não ganhou na final. Acabou perdendo a disputa para o capixaba Murilo Pitol. O terceiro lugar ficou para o carioca Fernando Carvalho, o Pitt, ou “Bolado”, como a platéia o apelidou (para quem é de outros estados: ‘bolado’ aqui em Pernambuco quer dizer ‘amostrado’, ‘metido’, ‘que se acha’).

Nesse meio de campo, a Mundo Livre subiu ao palco novamente, mais ou menos na metade da competição (antes de começar a apresentação, o Fred 04 até arriscou umas embaixadinhas, mas sem o público ver), para tocar “Meu Esquema” e “Musa da Ilha Grande”. Além deles, ainda se apresentaram Maggo MC (que incentivou a torcida pelo Pedrinho) e os b-boys do grupo Recife City Breakers.

Quem encerrou o evento foi a Mundo Livre S/A. Arrisco dizer que até um pouco mais animadinha do que no começo! Mandaram “Destruindo a Camada de Ozônio”, “Computadores Fazem Arte”, “Bolo de Ameixa”, “Muito Obrigado”, “E A Vida Se Fez de Louca” e outras duas músicas que não me recordo agora. Não foi lá o melhor show da vida deles, mas foi eficiente para a ocasião.

União – Preciso comentar: a postura dos competidores foi exemplar! Eles entravam abraçados, e vibravam uns com a vitória dos outros. Quando começaram a vaiar o adversário do Pedrinho, ele pediu pro público aplaudir em vez disso. Bonito de se ver! Que bom seria se todo mundo fosse assim... ah, e a platéia apelidou quase todos os freestylers (uia como já to!): Eduardo Key virou Coxinha (pela semelhança capilar com o mamulengo cearense), Murilo Pitol virou “Salsicha” e por aí vai.