domingo, 19 de outubro de 2008

Microfonia - Primeira semifinal

Olá, pessoas! Andei na quarta-feira passada (15) pela primeira semifinal do Microfonia, concurso de bandas que dá a ilustres desconhecidos (ou nem tanto), entre outras coisas, a chance que 10 entre 10 bandas de rock do Estado querem: tocar no Abril pro Rock.

O evento rolou no UK, em Boa Viagem. Muito se especulou que não ia dar certo ser lá, já que é um espaço muito pequeno e tal. Mas deu certo: o lugar não ficou nem muito cheio, nem vazio. E levando-se em consideração que era um ingrato meio de semana, até que deu um público legal.

Das dezesseis semifinalistas, se apresentaram oito: Javacafé, The Haze, Gandharva, La Garantia, Candeias Rock City, Seu Fulô e a Fuleragem, Caravana do Delírio e Love Toys. Cada uma teve 20 minutos para tocar quatro músicas (três autorais e uma cover), e mostrar que merecem (ou não) se classificarem para a final e quiçá participar do APR 2009.

Quem abriu a noite foi a Javacafé. Pense num cafezinho aguado e sem açúcar! Além de estar extremamente nervosa, e o vocal ser bem ruinzinho, não dava a menor vontade de olhar para o palco, pois ninguém lá se mexia. Na seqüência, o punk rock da The Haze foi ligeiramente mais animado. A versão deles para "Enjoy the Silence", clássico do Depeche Mode, foi legal, e até que deu uma animada a mais na a(nti)pática platéia que, por ser formada em sua maioria por amigos dos integrantes das bandas participantes, em geral não estava nem aí para qualquer um que se apresentasse que não fosse seu conhecido. 

A Gandharva foi média. Meio Volver, meio Sweet Fanny Adams. Influenciados pelo rock inglês, como boa parte da atual leva de bandas recifenses. Ao menos eles se mexeram no palco! La Garantia arrasou no figurino caprichadinho estilo anos 50/ The Hives (embora eu me pergunte o que leva alguém a tocar de jaqueta de couro neste calor dos infernos de Recife, mas enfim), mas faltou caprichar mais nas músicas. Ora rockabilly, ora quase punks, uma das canções deles é quase um plágio: "Bilhete de Show" é parecida além da conta com "Meu Erro", dos Paralamas do Sucesso. Ruim não é. Mas falta um “tchan” a mais.

Quem abalou o UK e levantou a platéia e a comissão julgadora (que até levantou da cadeira pra fotografar a apresentação) foi a Candeias Rock City. O persistente Johnny Hooker, que já participou de três finais do Microfonia com outras bandas (parece que, enquanto não tocar no Abril, ele não sossega!)  é carismático, provocativo, poser, exibicionista e simplesmente excelente! Uma mistura de Iggy Pop, Marilyn Manson e Chupeta, líder da Textículos de Mary. O som é sujo e cheio de guitarras, e cumpre o que promete: divertir.

Pode-se definir a Seu Fulô e a Fuleragem como “se Zeca Baleiro tivesse uma banda de samba rock”. Os músicos são bons, o som é bom, maaaaas... Em outro ambiente e outro contexto pode até funcionar. Lá, não deu certo.

Uma das minhas apostas, a Caravana do Delírio, não foi o que eu esperava. Ao vivo soa bem diferente do Myspace, as músicas são mais animadas e tal. Só que em vez de agradar as “viúvas do Los Hermanos”, como parecia, agrada as tietes da Terceira Edição, que agora estáem São Paulo. No público, algumas menininhas cantavam junto e gritavam, que nem acontece nos shows da 3E. A letra bem humorada de “Mãonogamia” agradou, mas a apresentação da banda, nem tanto.

Porém acertei em cheio na minha outra aposta: a Love Toys mandou muito bem! Apesar de ter sido a estréia deles nos palcos, não deu pra notar o nervosismo. Pelo contrário, eles pareciam uma banda experiente e que sabe ganhar a platéia, com suas caras e bocas e seu som sujo e, como eu já disse, “rock’n’roll pretinho básico”. Tem tudo pra ir para a final (Luiz, não esqueça a aposta!).

Bem, essa quarta-feira (22) tem mais. É a vez de A Banda de Joseph Tourton (que tocou na última edição do Coquetel Molotov), A Comuna, Black Flowers, Gigantesco Narval Elétrico, Ilíada 1, The Keith, Ugly Boys e Voyeur. É aguardar pra ver!



A comissão julgadora





La Garantia


Johnny Hooker arrasando na Candeias Rock City

(Fotos: Marcelo Lacerda)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Bandas novas - Love Toys e Caravana do Delírio


Olá, pessoas! Resolvi comentar hoje o som de duas bandas que estão na semifinal do Microfonia (lista completa aqui): Love Toys e A Caravana do Delírio. Sanguinho novo na cena local é sempre bom!

A Love Toys (www.myspace.com/buylovetoys) é quase um bebê, não tem nem um ano de existência. Mas não se engane com o pouco tempo e o nome fofinho da banda. O som é sujo e a pegada é punk. Rock'n'roll pretinho básico, com influências de Ramones, Stooges, Motorhead, Dead Boys, Mc5, Rolling Stones, AC/DC, Black Flag, entre outros. Músicas lépidas e ligeiras, que dão vontade de "pogar", ou, no mínimo, balançar a cabeça. “Too Cool For Me” é umas mais legais, rola até uma gaitinha! É de Recife, mas podia ser de qualquer lugar de mundo. Não há regionalismos, mas não é uma cópia descarada das bandas gringas ou do eixo RJ/SP. Não é a salvação do rock, mas é garantia de algo que muitas vezes as pessoas esquecem que é função da música: diversão. E tenho uma razão sádica para torcer por eles: uma aposta com Luiz, o guitarrista da banda!

Já a Caravana do Delírio (www.myspace.com/acaravandadodelirio) mistura Jovem Guarda, Mutantes, Tropicália, rock'n'roll anos 50/60 e um monte de outras coisas mais. Em alguns momentos, lembra um pouco Wander Wildner, e até mesmo Velhas Virgens! As letras são meio “viajadas”. O som é calmo, assim como a voz de Matheus Torreão, o vocalista. Tem até uma instrumental que parece música de meditação: “Essência”. Vale a pena dar uma sacada.

Enfim, como ao vivo sempre é diferente, o negócio é aguardar pra conferir os show das bandas, que se apresentam no mesmo dia, 15/10, na semifinal do Microfonia (a outra semifinal é no dia 22/10). E fica aqui a torcida!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Oi Fashion Music - Moda e música acertando o tom

Olá, todo mundo! Andei passeando por terras um tanto quanto diferentes das habituais: o mundo da moda. Antes de achar que este singelo bloguinho está ficando muito fútil, lembre-se de que a indústria da moda movimenta, em média, 15 bilhões de reais por ano no Brasil, é o ganha-pão de milhares de pessoas neste país em que reina o desemprego, e ainda cobre o seu corpinho com estilo. Afinal, como diria o estilista Alexandre Herchcovitch, “a moda é o cérebro do lado de fora”.

Aconteceu na última quarta-feira (1º) a primeira edição do Oi Fashion Music. O evento rolou no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções, em Olinda. Mas lá a moda não estava só. Assim como no Fashion Rocks, que acontece na Inglaterra, estava de braços dados, no maior chamego, com a música. Artistas de peso estiveram lá, cantando e fazendo a trilha sonora dos desfiles. Quer saber quem? Continua lendo que eu conto.

Tenho que confessar que me deparei com um clichê: a mãe de modelo, versão dos anos 00 da mãe de miss. Sempre animada e devotada à filha, que ela jura ser a próxima Gisele Bündchen (sendo sua pimpolha mais bonita, claro). Maria Célia, mãe da modelo caruaruense Andrielly Carla, estava desde muito cedo em uma das primeiras filhas, ansiosa para ver sua cria desfilar. Quando Andrielly apareceu na passarela, Maria Célia fez questão de dizer a todos: “é a minha filha!”. Babando e corujando. Mas mãe é mãe, né?

E havia, logicamente, aqueles(as) modelos lindíssimos(as). Corpinhos enxutos e peles perfeitas! E, claro e evidente, eles devem se reproduzir entre si. Nunca vão dar bola para nós, pobres mortais que temos espinhas, celulite e tomamos refrigerante normal, com muito açúcar. Mal sabem eles o quão interessante é uma barriguinha um pouquinho saliente, uma cicatriz! Mas eles o padrão que os estilistas e a indústria da beleza impõem.Fazer o quê.

Os atores Lucio Mauro Filho e Ricardo Castro abriram do evento (que começou com mais de uma hora de atraso), fazendo a platéia rir com suas piadas em relação aos mundinhos fashion e musical. E, entre cada desfile, eles voltavam trazendo mais humor. Sobrou pro João Gilberto, pras bandas de músicas não tão profundas assim e até pro Chico Science. As únicas bolas foras foram o “enovador” que o Lucio Mauro Filho soltou, além do “oi, Réécife”. Ninguém (ou quase) na Região Metropolitana do Recife fala assim.



O primeiro desfile foi o da C&A, embalado pelo samba de Jorge Aragão. O garoto-propaganda da marca, Sebastian, chegou na ginga do malandro carioca e arrancou gritos e aplausos da platéia. A coleção trouxe o clima hippie dos anos 70, com faixinhas na cabeça, jeans délavé (aqueles bem desbotados) e estampas florais. Também teve o colorido do estilo geek, a alegria dos indies.




Depois veio a marca do pernambucano Melk Z-Da, embalada pela apresentação do conterrâneo Zé Brown, vocalista do Faces do Subúrbio. Ao som do rap “Perito em Rima”, as modelos, com máscaras brancas/tom de areia escondendo o rosto, desfilaram vestidos e outras peças em tons claros, como o bege e o rosa - claro. Mas as roupas traziam a dramaticidade e a loucura da escultora francesa Camille Claudel, musa inspiradora da coleção.


“Água de Chuva no Mar”, de Beth Carvalho (que animou o público), foi a trilha do desfile da Água de Coco trouxe sua moda praia pro evento. O modelo Paulo Zulu já está meio passadinho, mas ainda fez a mulherada gritar horrores.



O ex-titã, poeta e talentoso Arnaldo Antunes trouxe sua presença de palco pro desfile da Blu K, que trouxe a top e apresentadora do GNT Mariana Weickert pra passarela do Evento. Muitas roupas lindas e soltinhas, toques étnicos e uma coisa meio estou-em-Saint-Tropez. Olha o vídeo do desfile aí embaixo:





O vocalista do Cachorro Grande, Beto Bruno, cantou “Jumping Jack Flash”, dos Rolling Stones pra animar o desfile da Sandpiper. Coleção alegrinha, com vestidos curtinhos, tons pastéis e estampas de bolinhas e xadrez. Bem fofo.


Luiz Melodia foi de “Lá vem a bonitona” pra embalar o desfile da Salinas. Sereias na passarela! Muito rosa-choque, tops que lembravam conchas e referências às míticas beldades do fundo do mar.


E aí veio o ápice. Com um tema um tanto quanto kistch, “Miss Universo”, a Alessa não podia ter sido mais feliz na trilha sonora. Chamou o mito, o único, um dos últimos românticos, pra cantar no desfile: o incomparável Wando! “Fogo e Paixão” foi cantada quase em uníssono pelo público, enquanto Wando jogava calcinhas para a platéia, em vez de tradicionalmente receber várias. Infelizmente não consegui pegar nenhuma :(

Os looks esportivos, bem elaborados e em cores neutras (azul, bege) da Redley foram mostrados ao som de “Ponta de Lança Africano”, de Jorge Bem, na voz de Jorge du Peixe, da
Nação Zumbi. Performance de primeira!


Um Vitor Araújo até que calmo (ele nem subiu tanto assim no piano!) tocou sua “Valsa para a Lua” no desfile do xará Victor Dzenk. A coleção, intitulada “Alma Barroca”, trouxe influências de Aleijadinho, um dos maiores artistas barrocos do Brasil. Cores ora fortes, ora neutras, florais e vestidos longos estavam presentes nas peças. Ao fim da apresentação, Vitor Araújo saiu do palco e foi pra platéia sob forte salva de palmas.


O sempre animado Otto (que lança CD novo mês que vem) cantou “Pelo Engarrafamento” e animou o já animado desfile da TNG. Tanta animação foi por conta do ator Malvino Salvador,que desfilou e arrancou gritos histéricos das mulheres (e de alguns homens) da platéia - até algumas colegas de trabalho perderam a linha e engrossaram o coro! Quem conseguiu prestar atenção na coleção, viu roupas mais urbanas, mas com toques navy (roupinha de marinheiro, sacou?) e muitas listras.


Fernanda Takai fez sua versão para “Cities in the Dust”, da banda avó do emo Siouxsie And The Banshees, pro desfile da Cantão. Muitos vestidos bonitinhos, chapéus de panamá e cores foi o que se viu na passarela.

O multiinstrumentista Zé Cafofinho (que dessa vez tocou rabeca) deu o tom do desfile da Seaway, o último da noite. Muito xadrez, calças street com bolsos enormes, roupas esportivas e cores claras, além de uma certa influência da boemia dos anos 20.

Pra encerrar, todos os cantores convidados, além da banda base que os acompanhou - Billy Brandão na guitarra, Bruno Migliari no baixo, Pablo Lapidusas nos teclados, Lourenço Monteiro na bateria e Joça Perpignan na percussão - participaram de uma homenagem ao rei do baião
Luiz Gonzaga. Todos vieram ao palco enquanto a banda tocava “Asa Branca”.

E não posso deixar de dizer que a assessoria de imprensa do evento está de parabéns por dar credenciais de imprensa a nós, pobres blogueiros. É o reconhecimento de que a gente faz diferença sim, não só os grandes veículos de mídia. Que bom seria que todos pensassem assim (não é, senhores Bruno Nogueira e Guilherme Moura?)! Ah, e mais uma vez desculpem as imagens ruins, é que a minha câmera é péééééssima!


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Show da gravação do CD e DVD de 20 anos da Devotos - foi do cara***


No Alto José do Pinho, o desfile de 7 de setembro deste ano aconteceu tardiamente, no 22 de setembro. Parece que as coisas acontecem tardiamente por lá. A Devotos, uma das bandas mais relevantes do Alto, exemplifica o caso. Gravou seu primeiro CD em 1999, depois de nove anos de estrada. E o primeiro DVD foi gravado domingo (21), para comemorar o aniversário de 20 anos de uma história marcada por lutas. Contra a pressão desfavorável da família, a falta de grana, o preconceito da sociedade.

A história da Devotos está longe de acabar, mas pode-se dizer que, se acabasse hoje, teria um final feliz. Até porque, como disse um morador do Alto, fazer 20 anos de banda em um lugar aonde várias pessoas não chegam aos 20 anos de vida é uma vitória. E essa vitória foi festejada com muito punk rock/hardcore, como não poderia deixar de ser.

O show começou com Cannibal confessando o nervosismo, e a banda mandando ver em “Dia Morto”, que por problemas técnicos (ou a falta do tradicional desejo de boa sorte da filha de Cannibal, o que depois foi consertado) teve que ser repetida. E seguiu-se a apresentação pra lá de vigorosa com músicas dos discos “Agora Tá Valendo”, “Devotos”, “Hora da Batalha” e “Flores com Espinhos para o Rei”. O mais legal é que a roda de pogo girava, mas não havia brigas. O clima era de harmonia, com várias crianças na platéia. Parecia uma reunião de família. E era.

Eis que surge Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado, para participar de “Dança das Almas”. Em seguida, veio uma versão matadora de “A Matadeira”, do Cordel (trocadilho péssimo, eu sei). Algumas porradas na orelha depois, sobe ao palco Adilson Ronrona, vocalista da Matalanamão (com figurino feito pela mãe dele), pra cantar “Sociedade Alternativa” junto com Cannibal. O dueto continuou em “Mim Dai”, hit da Matala.

A pauleira continuou, até que o Afoxé Ilê de Egbá veio e trouxe o seu batuque para “Mas Eu Insisto”. E a pauleira continuou. Veio também participar da festa Clemente, vocalista da Inocentes, uma das bandas que influenciou a Devotos, cantando “Alien”, “Brincando do Jeito que dá” (Devotos) e “Pátria Amada” (Inocentes).

A música de encerramento não poderia ser outra: “Punk Rock Hardcore Alto José do Pinho”, que contou com a participação não-programada de Clemente. No bis, “Punk Rock” fez jus ao refrão (é do cara***) novamente. Quem estava ali, fosse morador do Alto José do Pinho, de outros bairros da RMR (Região Metropolitana do Recife) ou de outros estados (tinha gente da Paraíba, do Rio Grande do Norte...), tinha a mesma sensação: havia presenciado um momento e histórico que, por mais que o CD e o DVD fiquem bons, não irão conseguir reproduzir com a mesma aura daquela noite.



P.S.: Deixa eu compartilhar uma tragédia: eu havia tirado várias fotos da passagem de som, bastidores, do show... mas não sei o que fiz na minha câmera que perdi tudo. O que sobrou foi essa fotinho xexelenta e um vídeo de 16" com "Punk Rock Hardcore Alto José do Pinho" :(

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

No Ar Coquetel Molotov - sexta-feira (19/09)

Olá, pessoas! Lá fui eu andar de novo por esta cidade ímpar chamada Recife. A da vez foi o Festival No Ar Coquetel Molotov 2008. Confesso não ser muito amante dessa postura de "se mais de três pessoas ouvirem, não presta" do público do evento, mas lá fui eu. Pra variar, só vou falar das bandas que vi.

A Banda de Joseph Tourton (PE) foi quem atraiu mais público para a Sala Cine UFPE (que, diga-se de passagem, não permitia a permanência de ninguém por muito tempo devido ao calor infernal). Música instrumental com espontaneidade e misturinhas boas de som pesado com mais calmo deram o tom do show. Nas músicas mais calmas, teve até um casal que improvisou
uma gafieira. Nas mais animadas, muitos corpinhos sem movimento. Gostei tanto que comprei o EP.

Bandini (RN) não é uma coisa que se diga "minha nooossa, que maravilha!". Em um festival que sempre aposta no diferente, pode-se até considerar um erro chamar uma banda que faz um som tão batido. Sabe aquelas bandas influenciadas pelo pós-punk que tocam praticamente a mesma coisa? Bandini é uma dessas.

Outra banda que investem no instrumental, a Guizado (SP), também fez bonito. Instrumentos de sofro se mesclam a barulhos eletrônicos. Cada música soa bem diferente pra outra, ou até mesmo uma mesma canção parece duas. Em
alguns casos isso é ruim. Mas a Guizado consegue fazer isso funcionar.

No ano passado, a então recém-formada Júlia Says estava no festival divulgando seu trabalho. Este ano, se apresentou no palco principal, no Teatro da UFPE. Merecidamente. O som instrumental (eita que só deu isso!) e experimental da dupla é de primeira. Quando tende mais ao rock, é bem
vigoroso. Quando tende mais ao eletrônico, lembra Daft Punk. Mas todos têm influências musicais, né?

Do lado de fora – Dadas as minhas impressões dos shows, vamos agora a uma parte também bastante interessante: o lado de fora, pois nem só de show vive o No Ar Coquetel Molotov. Havia vários stands vendendo roupas, CDS e outras coisas legais. E era impressionante o número de pessoas que estavam lá só pra beber com os amigos, sem a menor preocupação de ver apresentação nenhuma. O que vale é a social.

No stand Recife Independente, ponto de vendas de produtos dos artistas do Recife (CD’s, camisetas, buttons), o que fez sucesso foram os buttons da banda Ciné e as camisetas da Mula Manca e Fabulosa Figura. No Hot Dog da tia França, curiosamente o que fez sucesso foi a tortinha de chocolate. E a bebida mais vendida do evento não podia ser outra: cerveja, é claro.

E as artes plásticas também tiveram espaço. No corredor para a Sala Cine UFPE havia vários desenhos toscos-eróticos-undergrounds na parede, com instruções para como roubá-los e tudo mais (não vou negar, levei um pra casa). Tudo o que sei sobre o responsável pela “exposição” é que se trata de um artista doidão chamado Elvis.

Também teve a instalação “Reflexões”, de Kilian Glasner. Não sei se sou eu que sou burra e não entendo ou se a coisa é sem graça mesmo, mas era só um barulho irritante e umas coisas quebradas que remetiam a um acidente de carro. Não refleti sobre nada.

No fim das contas, valeu enfrentar o preconceito. Descobrir novas (e boas) bandas sempre vale a pena!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Devotos - Gravação do CD e DVD ao vivo


Olá, pessoas! Cá estou para anunciar um evento muito importante: uma das bandas mais importantes da cena pernambucana, a Devotos, está completando 20 anos. Para comemorar, serão gravados um CD e um DVD ao vivo. A gravação acontece no dia 21 de setembro (domingo), às 19h, no bairro Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife. O show contará com a com a participação de Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Clemente (Inocentes e Plebe Rude), Adilson Ronrona (Matalanamão), e o afoxé Ilê De Egbá. Vai valer a pena ver uma das melhores bandas de hardcore do país tocando as "the best of" dos CDs já lançados Agora tá Valendo (1997), Devotos. (2000), Hora da Batalha (2003) e Flores com Espinhos Para o Rei (2006). Vamos lá!


http://br.youtube.com/watch?v=PpO6vB50eXI

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Olha eu aqui de novo :) - Andando pelo show de Nós 4, Nando Reis e Del Rey


Olá, pessoas! Andei sumida, mas cá estou eu de volta! Por onde andei enquanto vocês me procuravam? Fazendo coisas não-interessantes para o blog. Mas, após um período de limbo, no dia 30 de agosto estive no Cabanga Iate Clube, no show de Nós 4, Nando Reis e Del Rey.

A noite começou com a insossa Nós 4, que fez o famoso samba-do-crioulo-doido pra tentar agradar a platéia. Covers de clássicos do pop, do rock, do samba e do que mais a imaginação mandar. Se no lugar da banda estivesse tocando um CD, ninguém notaria a
diferença.

Em seguida, a atração mais aguardada da noite: Nando Reis! Antes de mais nada, quero deixar clara a minha total parcialidade em relação a esse show, já que era um ítem da minha lista de 100 coisas para fazer antes de morrer.

Prosseguindo, a apresentação foi dividida em duas partes: metade acústica, metade plugada. Bem, tirando o problema no som que aconteceu logo na primeira música (a saber, "A letra A"), performance muito boa.


Estava tudo lá: desde canções do tempo dos Titãs, como Os Cegos do Castelo e Marvin, músicas do álbum anterior, Sim e Não, como Sou dela, Espatódea e Monóico, até grandes sucessos que o cantor coleciona ao longo de sua carreira, como Relicário, Por onde andei, Mantra, entre tantos outros.

Ok, Nando Reis não estava lá a pessoa mais sóbria do mundo. No entanto, as caras e bocas (e as frases desconexas) fizeram sucesso com a platéia. Aquelas velhas músicas que todo mundo conhece e que diz não agüentar mais sendo cantadas e uníssono e as flores jogadas no final deram um certo toque Roberto Carlos à apresentação.

Peço perdão por não ter assistido ao show da Del Rey. Desculpem esse pobre projeto de jornalista que teve a burra idéia de ir de salto alto e não agüentou até o final porque as pernas não permitiram! Até a próxima!